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ugo Rodrigues é escritor e publica seus trabalhos de forma independente. Através da internet, o carioca de 27 anos que também é publicitário divulga seus textos em redes sociais e já conquistou um público fiel de leitores, que se identificam com os romances e conflitos descritos por ele em seus textos e livros. Hugo lançou seus dois primeiros livros em 2013 (Um Sorriso de Oito Graus na Escala Richter e Mulheres, Malditas Maravilhas) e participa como colaborador no site Entenda Os Homens.





1- Hugo, de onde vem toda a sua inspiração? Você é aquele tipo de pessoa que observa os outros na rua para buscar inspiração? Ou vem tudo da cabeça mesmo?
HR: Eu sou bastante observador. É uma merda conversar comigo. Sempre olho ao redor, homens, mulheres, idosos e crianças. Gosto muito de ouvir minhas amigas também. Ouvir minha irmã mais velha. É sempre interessante estudar o outro. Junto tudo por aqui e, vez em quando, saem coisas com nexo.
2-  O seu gosto pela escrita vem com qual idade?
HR: Antigamente, quando moleque, eu já escrevia poemas, rimas e músicas. Adorava fazer sonetos. O gosto pela leitura sim, veio tarde. Odiava ter que ler na aula de Literatura. Até hoje não consegui ler “O Cortiço” completo.
3- Você mostrava as coisas que você escrevia para seus amigos e família? Ou gostava de guardar tudo pra você?
HR: Mais ou menos. Eu tinha um diário e alguns amigos liam. Mas minha família nunca teve acesso. Minhas namoradas acabavam lendo – mas sempre era um problema namorar com uma morena de olhos pequenos e escrever sobre uma loira com grandes gulosos. Aos poucos, eu vou aprendendo.


4- No mundo literário você tem algum escritor (a) que te inspira?
HR: Gabito Nunes sempre me inspirou. Caio F Abreu, também. Adoro os contos dele. Tem um chileno contemporâneo chamado Alejandro Zambra que é fenomenal. “Bonsai” é um dos melhores livros que já li.
5- A maior parte do seu público é feminino, você acha que toda essa identificação é por que nos seus textos você costuma retratar a mulher comum e assim consegue chegar mais próximo das suas leitoras?
HR: A gente gosta do que de identifica. Ler algo parecido com a gente nos conforta. Eu sempre me sentia útil ao ler Cazuza, sabe? Ficava “Putz, esse cara pensa como eu”. E como eu sempre escrevo sobre mulheres, acaba que muitas gostam dos meus textos. Mas é legal quando chega uns caras dizendo que estão aprendendo bastante. Eu não tenho a pretensão de ensinar ninguém. Mas é bonito pensar que posso fazer a diferença pra alguém.
6- Ainda sobre os seus textos, todos são inspirados em você?
HR: Eu falo mais de mim do que dos outros quando escrevo. Gosto dessa sinceridade. Desse forma de gritar em silêncio o que estou pensando.
7- Um dos meus trechos favoritos é um que o Fernando está conversando com alguém e diz: ” Cara, tem homem que gosta de futebol e sabe perfeitamente quando um jogador está impedido ou não. [...] Pág.7 “. Tenho a impressão que você se descreveu nesse diálogo, estou errada?
 HR: Todo eu. Isso realmente aconteceu. Eu detesto quando pensam que não existem mais homens que se dedicam. Eu não sou o melhor namorado do mundo. Estou longe disso. Mas gosto de me dedicar. E, olha, tenho amigos que são homens oito mil vezes melhores do que eu. Mas as mulheres cismam em querer os errados. Eu não entendo.
8- Qual o processo criativo de um livro seu? Quando você sabe que uma crônica vai ser só uma crônica ou se ela tem oportunidade de virar algo mais?
HR: Hoje em dia, eu não escrevo mais crônicas. Tudo que escrevo está dentro de algum livro – lançado ou não. Não sei mais limitar uma história.
9- Você lançou seu 1º livro por uma editora e seu segundo livro foi lançado de forma independente. O que te motivou a lançar de forma independente?
HR: Editoras são complicadas. Limitam o trabalho do autor, dificultam o acesso do leitor, vendem livros com fretes caríssimo e, nem sempre, dão um suporte necessário. Eu tenho o meu público e sempre que o tiver, farei de tudo para que o diálogo entre a gente seja assim: independente.
10- Você acha que lançar de forma independente te dá mais autonomia como escritor?
HR: Com certeza. Os livros ficam comigo. Se tem 10 pessoas querendo um lançamento, eu vou pra lá. Com editoras, tudo é mais complicado.
11- Eu vejo muitos escritores terem dificuldades para lançar livros por editoras grandes. Pois eles reclamam que as editoras abusam e cobram preços absurdos para publicar. Quando você decidiu publicar o livro sentiu essa mesma dificuldade?
HR: Na verdade, não. Eu nunca procurei editoras. Eu recebi um convite de uma editora pequena pra lançar. Mas sei como é difícil esse mercado. Sem falar que o autor, figura mais importante do livro, recebe sempre a menor parte do retorno.
12- Além do lançamento do seu próximo livro chamado ” Na décima nuvem” que vai ser lançado ainda esse ano, você tem mais algum projeto em vista?
HR: Eu tô em fase final do “Na Décima Nuvem.” Também um romance, porém mais maduro. Personagens mais velhos e crises diferentes. Ele será lançado em outubro deste ano.
Pro ano que vem, eu devo lançar o “Rascunhos Nus”, que funcionará como uma espécie de autobiografia através dos meus textos e contos. Colocarei tudo que já escrevi em ordem cronológica, explicando um pouco de cada fase. Acho que será legal.
Ainda há um projeto com o Ricardo Coiro que pode sair para o ano que vem. Vamos ver.
13- Hugo, muito obrigada pela entrevista e parabéns pelo livro. Deixa um recado para seus leitores e também para quem vai ler você pela 1º vez.
HR: Eu gostaria de agradecer pelo espaço. Nunca acho pertinente o que falo ou escrevo. Mas cada vez mas tem sido gratificante o retorno das pessoas. Sou extremamente grato por tudo que estão me dando. Muito obrigado.
*Entrevista feita por mim e originalmente postada no site La Joujou


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